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A morte do menino Wesley Gilbert Rodrigues de Andrade, de 11 anos, estudante do CIEP Rubens Gomes, em Costa Barros, Zona Oeste do Rio de Janeiro, não é apenas mais uma ação desastrada da polícia militar do Rio, como vem apregoando os gerentes de turno Sérgio Cabral (governador) e Eduardo Paes (prefeito). Esta morte é fruto da “política de segurança pública” praticada por suas gestões, que conta ainda com a participação do secretário de segurança pública, José Mariano Beltrame, e com concordância e incentivo de Luis Inácio, maior cabo eleitoral de Cabral no Rio de Janeiro, como o desenrolar da farsa eleitoral tem nos revelado.
Wesley foi morto na última sexta-feira, dia 16 de julho, vitimado por um tiro de fuzil disparado enquanto ocorria um enfrentamento de policiais contra supostos traficantes nos morros da Pedreira e da Quitanda, em Costa Barros, próximo da escola onde o menino estudava. Em pleno horário de aulas, a polícia militar (entre eles alguns oficiais sem uniforme, conforme se constatou mais tarde) tentou ocupar o local, disparando indiscriminadamente contra a população, segundo relatos de moradores. Nesta operação, Wesley foi morto. Também foram mortos na ação mais três supostos traficantes, na versão da polícia.
A morte de Wesley, do trabalhador Hélio Barreira Ribeira (morto por que a polícia confundiu uma furadeira com uma submetralhadora), e tantos outros filhos e filhas do povo como os meninos João Roberto e o menino Matheus (morto pela polícia na Maré quando ia comprar pão), se juntam as 3.943 mortes em decorrência da ação da polícia do Rio de Janeiro desde 2007.1
Não são mortes ocasionais, nem fruto de um despreparo dos policiais, conforme as “autoridades” se apressam a falar. Ao contrário, estas mortes são reflexo de um determinado preparo a que são submetidos os policiais do Estado. E que preparo é este?
Preparo para matar o povo pobre! As declarações do comandante da operação, coronel Fernando Príncipe, neste sentido são esclarecedoras: “não é a primeira vez que isto acontece e não será a última. Se não estivessem na escola, as crianças estariam nas ruas. Não dá para avaliar se valeu a pena ou não só porque uma pessoa foi atingida”.2
O que está implícito na declaração do coronel é o completo descaso com a vida das pessoas. Mas quais pessoas? Pessoas pobres, filhos e filhas do povo, é claro! No Leblon, na Viera Souto ou em outros lugares luxuosos do Rio, este coronel, ou qualquer outro policial, não teria a “ousadia” de atirar primeiro e perguntar depois. Afinal de contas, para o secretário de segurança pública “uma coisa é um tiro em Ipanema, outra coisa é um tiro na favela da Coréia”.
Não são apenas as operações em horário de aula que tem de ser detidas. É toda uma lógica que criminaliza e mata os pobres do estado que deve ser combatida! Esta é a lógica deste atual modelo de “segurança pública”. A lógica fascista da repressão pura e simples, a lógica das classes dominantes que enxergam o povo pobre como “classe perigosa” e querem mantê-lo longe dos bolsões de riqueza da cidade do Rio. Por isso Choque de Ordem, UPP e “política de enfrentamento” como preparativos para a Copa de 2014 e as olimpíadas de 2016.
Cabral, em todo seu cinismo, declarou: “... Acho que a melhor maneira de homenagear Wesley e sua família é continuar nessa luta, nessa reconquista de territórios, levando paz a estes moradores. Tenho certeza que vai chegar o momento de que todas as comunidades, Costa Barros, Barros Filho e demais regiões, estarão pacificadas”.3
Assim, o gerente mor do estado do Rio aponta para a continuidade da atual política de criminalização e extermínio de pobres, que é a sua principal característica. Para além disto, aponta para o seu aprofundamento e alastramento para mais locais.
Por esta razão, o desabafo da mãe de Wesley, Srª Islane Rodrigues do Nascimento, é mais que legítimo: “a polícia não respeita ninguém. Eles saem atirando e não querem saber se tem criança ou não na rua”.4
O Cebraspo vem mais uma vez prestar sua solidariedade e declarar seu apoio à família do menino Wesley Gilbert Rodrigues Andrade, bem como a todas as vítimas e parentes das vítimas da violência praticada pelo Estado no Rio de Janeiro. Também exigimos o fim desta política fascista de criminalização e extermínio de pobres, e o fim de todas as incursões policiais nas favelas e bairros pobres do estado do Rio de Janeiro.
Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos - CEBRASPO
20 de julho, 20101 Dados fornecidos pela ONG Rio da Paz dão conta que das 25 mil pessoas vítimas da violência no estado desde 2007, 3.943 foram “autos de resistência”, ou seja, em supostos “confrontos” com a polícia. Esta ONG credita os dados ao ISP (Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro).
2 O Globo 20/07/2010.
3 O Globo, 20/07/2010.
4 Idem.
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